Síndica de condomínio denuncia moradora por injúria racial e agressão
A síndica Selma Guimarães Souza registrou uma denúncia formal junto à Polícia Civil contra uma moradora de um residencial localizado em Várzea Grande, na Região Metropolitana de Cuiabá. A condômina é acusada de injúria racial, perseguição (stalking), ameaças e agressão física.
Parte das ações hostis foi captada pelas câmeras do circuito interno de segurança do próprio condomínio e deve subsidiar as investigações.
O conflito, que culminou em agressões físicas e ofensas verbais de cunho racista, teria sido motivado pela insatisfação da moradora com o resultado de um laudo técnico sobre problemas estruturais em sua unidade.
O caso segue sob apuração das autoridades policiais.

Ofensas e agressão
De acordo com o boletim de ocorrência, o episódio mais grave ocorreu na manhã do dia 29 de maio. Selma relatou que a moradora passou a segui-la de forma deliberada por diferentes espaços comuns do residencial.
Durante o trajeto, a suspeita proferiu diversas ofensas e ameaças na presença de funcionários e de outros moradores que circulavam pelo local.
A perseguição se estendeu até o salão de festas do condomínio, onde a síndica participava de uma reunião de alinhamento com representantes de uma empresa prestadora de serviços terceirizada. No local, as agressões verbais se intensificaram:
- Ofensas racistas: A moradora utilizou termos como "preta incompetente", "preta nojenta", "verme" e "jumenta" para se dirigir à gestora.
- Intimidação e ameaças: A suspeita apontou repetidamente o dedo contra o rosto da síndica, afirmando que ela "iria pagar".
- Agressão física: As imagens das câmeras de monitoramento flagraram o momento em que a vítima foi empurrada durante a discussão.
Diante do contato físico, colaboradores do condomínio que testemunhavam a cena precisaram intervir imediatamente para conter os ânimos e afastar a moradora.
Mesmo após ser contida, a agressora pegou uma cadeira do salão e tentou arremessá-la na direção da síndica.
A origem do conflito
De acordo com os registros da administração do condomínio, a sequência de desentendimentos teve início com uma queixa da moradora a respeito de infiltrações em seu apartamento.
Para apurar a responsabilidade do dano, a gestão condominial encomendou laudos técnicos especializados.
A perícia concluiu que o problema era de natureza estritamente privada, originado por um vazamento na unidade habitacional localizada no andar imediatamente superior.
O parecer técnico, portanto, descartou qualquer responsabilidade civil ou financeira da gestão do condomínio ou da estrutura do residencial.
Inconformada com o diagnóstico técnico, a moradora passou a recusar o resultado e a cobrar providências diretamente de Selma e dos funcionários de forma agressiva, gerando um clima de hostilidade crônica que antecedeu o confronto no salão de festas.
Inquérito em andamento
Momentos antes do confronto físico, uma funcionária do condomínio percebeu o comportamento visivelmente alterado da suspeita e alertou a síndica.
Ao notar que a moradora caminhava em sua direção de forma intimidadora, Selma ligou imediatamente para o número de emergência da Polícia Militar.
Mesmo enquanto a síndica conversava com o operador da polícia, as ofensas continuaram.
Em voz alta, a moradora desdenhava da autoridade da gestora, proferindo comentários sobre sua própria condição socioeconômica.
"Ela me chamava de podre, nojenta, verme e dizia que eu não era nada perto dela. Falava que ganhava R$ 15 mil e que era funcionária pública", declarou Selma em seu relato.
Os insultos de cunho racial e as intimidações persistiram mesmo após a chegada da guarnição da Polícia Militar ao local.
A assessoria jurídica da vítima informou que já foram formalizadas três ações criminais distintas relacionadas ao episódio.
Com base no inquérito em andamento, a moradora poderá responder judicialmente pelos crimes de:
- Injúria Racial (atualmente equiparada ao crime de racismo pela legislação brasileira, tornando-se imprescritível e inafiançável);
- Perseguição (stalking);
- Difamação e Vias de Fato (pelo empurrão e tentativa de agressão com objeto).
A Polícia Civil segue analisando as imagens gravadas pelo circuito interno do residencial e ouvindo as testemunhas para concluir o procedimento e encaminhá-lo ao Poder Judiciário.
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