11 normas e leis que impactam diretamente a gestão do síndico
As 11 normas e leis que impactam diretamente a gestão do síndico não são apenas referências jurídicas distantes da rotina. Elas influenciam decisões práticas todos os dias: da convocação de assembleias ao controle de reformas, da aplicação de multas à renovação do AVCB.
Quando o síndico desconhece essas regras, a gestão perde segurança e o risco deixa de ser teórico.
Na prática, os problemas não começam com grandes erros. Eles surgem em situações comuns: uma obra liberada sem documentação adequada, um morador que questiona penalidades, um cadastro de visitantes feito sem cuidado com dados pessoais.
O que costuma acontecer é o síndico buscar a norma apenas depois que o conflito já está instalado.
Embora o síndico não precise ser especialista em direito, ele precisa compreender quais leis e normas sustentam suas decisões. Isso porque cada ato de gestão envolve responsabilidade.
E, em muitos casos, essa responsabilidade pode ultrapassar o condomínio e alcançar o próprio gestor.
Neste conteúdo, você vai entender quais são as normas e leis que realmente interferem na administração condominial.
Índice
1. Código Civil: a base da atuação do síndico
2. Lei 4.591/1964: instituição do condomínio
3. Lei do Inquilinato: a Lei 8.245/1991
4. Lei 14.309/2022: Assembleias eletrônicas
5. Convenção Condominial e Regimento Interno
6. LGPD (Lei 13.709/2018): Proteção de dados
7. NBR 16280: controle de reformas nas unidades
8. NBR 9050: acessibilidade nas áreas comuns
9. NBR 9077: saídas de emergência e rotas de fuga
10. NBR 5674: plano de manutenção predial
11. Normas do Corpo de Bombeiros (AVCB)

1) Código Civil: a base legal da atuação do síndico
O Código Civil é o principal fundamento jurídico da gestão condominial. Entre os artigos 1.331 e 1.358, ele define as atribuições do síndico, os deveres dos condôminos e as regras básicas de funcionamento do condomínio edilício.
Na prática, muitos conflitos surgem quando decisões são tomadas sem observar esses dispositivos.
Aplicar multa sem garantir direito de defesa, deixar de prestar contas ou agir além da competência prevista pode gerar questionamentos e até anulação de atos.
O Código Civil também estabelece que o síndico deve representar o condomínio, zelar pelas áreas comuns e cumprir a convenção.
Quando essas obrigações são ignoradas, o risco não é apenas administrativo: pode haver responsabilização pessoal.
2) Lei 4.591/1964: a Lei do Condomínio
A Lei 4.591/1964, conhecida como Lei do Condomínio, trata da criação e da estrutura jurídica do condomínio edilício.
Embora o Código Civil seja a norma mais atual e concentre hoje as principais regras da gestão, os pontos que ele não disciplina de forma detalhada ainda encontram fundamento na Lei 4.591.
Na prática, essa lei influencia diretamente a elaboração da convenção, a definição das frações ideais e as responsabilidades da incorporadora na fase inicial do empreendimento.
É comum que dúvidas sobre vagas, áreas comuns ou divisão de despesas tenham origem nesses critérios estruturais definidos lá na constituição do condomínio.
Para o síndico, entender essa base é essencial, especialmente em condomínios novos ou em situações que envolvem documentação original do empreendimento.
Muitas discussões atuais têm raiz em decisões tomadas na incorporação.
3) Lei 8.245/1991: a Lei do Inquilinato
A Lei 8.245/1991 regula as locações urbanas e impacta diretamente a rotina do condomínio. Embora o contrato de aluguel seja firmado entre proprietário e inquilino, seus efeitos alcançam a gestão condominial.
Na prática, uma das dúvidas mais comuns é sobre inadimplência.
A responsabilidade pelo pagamento da taxa condominial é do proprietário, ainda que o contrato preveja repasse ao inquilino.
Quando há atraso, é contra o dono da unidade que o condomínio deve agir judicialmente.
Outra situação recorrente envolve participação em assembleias.
O inquilino pode votar em matérias ordinárias, desde que apresente autorização do proprietário. Sem esse cuidado, decisões podem ser questionadas.
4) Lei 14.309/2022: assembleias eletrônicas com validade jurídica
A Lei 14.309/2022 trouxe segurança jurídica para a realização de assembleias digitais em condomínios.
Ela regulamenta a participação e a votação por meios eletrônicos, desde que sejam garantidos identificação dos participantes, registro das deliberações e possibilidade de auditoria.
Na rotina do síndico, o risco aparece quando a assembleia online é feita sem critérios claros.
Convocações incompletas, falhas na comprovação de presença ou ausência de registro formal podem gerar questionamentos e até anulação das decisões.
A lei não elimina a necessidade de organização. Pelo contrário, exige ainda mais controle documental e transparência no processo de votação.
Quando bem estruturada, a assembleia eletrônica amplia participação e reduz conflitos.
👉 Leia também: Como fazer assembleia virtual?
5) Convenção Condominial e Regimento Interno
A Convenção e o Regimento Interno funcionam como a “constituição” do condomínio.
São eles que detalham regras de convivência, critérios para aplicação de multas, uso das áreas comuns, quóruns de votação e limites da atuação do síndico.
Na prática, muitos conflitos surgem quando decisões são tomadas sem consultar esses documentos.
Aplicar penalidade sem observar o que está previsto na convenção, ou deixar de seguir o procedimento correto de notificação, pode tornar a multa inválida e gerar desgaste com o morador.
Além disso, a convenção precisa estar registrada em cartório para ter eficácia contra terceiros.
Atualizações também exigem quórum específico. Ignorar esses pontos compromete a segurança jurídica da gestão.
Quando o síndico conhece e utiliza esses documentos como referência constante, a tomada de decisão se torna mais técnica e menos pessoal.
6) LGPD (Lei 13.709/2018): proteção de dados no condomínio
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais impacta diretamente a rotina do condomínio, mesmo que muitos síndicos ainda não percebam isso.
O condomínio trata dados pessoais o tempo todo: cadastro de moradores, lista de inadimplentes, imagens de câmeras, controle de acesso e até biometria.
O problema aparece quando essas informações são compartilhadas sem critério ou armazenadas sem controle.
Expor lista de devedores em mural público, divulgar telefone de morador sem autorização ou permitir acesso irrestrito às imagens de segurança pode gerar
responsabilização.
A LGPD exige finalidade clara, acesso restrito e cuidado no armazenamento das informações.
O síndico, como representante legal do condomínio, precisa garantir que esses dados sejam utilizados de forma adequada.
7) NBR 16280 e a reforma das edificações
A ABNT NBR 16280 estabelece diretrizes para reformas em edificações e impacta diretamente o dia a dia do síndico.
Sempre que um morador decide alterar piso, remover parede ou modificar instalações, essa norma entra em cena.
Na prática, o risco aparece quando a obra começa sem análise técnica.
Intervenções estruturais, mudanças em instalações elétricas ou hidráulicas e até sobrecarga de lajes podem comprometer a segurança do prédio inteiro.
A norma exige apresentação de plano de reforma, ART ou RRT quando necessário e definição de responsabilidades técnicas.
Cabe ao síndico solicitar essa documentação antes de autorizar o início dos trabalhos.
👉 Leia mais: O que diz a NBR 16280?
8) NBR 9050: acessibilidade nas áreas comuns
A ABNT NBR 9050 estabelece critérios de acessibilidade em edificações e espaços coletivos. Ela impacta diretamente rampas, corrimãos, sinalização, vagas reservadas, largura de portas e circulação em áreas comuns.
Na rotina do síndico, o problema surge quando reformas ou melhorias são feitas sem considerar esses parâmetros.
A ausência de adaptações pode gerar questionamentos legais, denúncias e até ações judiciais por discriminação ou falta de acessibilidade.
Mesmo em prédios antigos, intervenções em áreas comuns precisam observar a norma sempre que houver alteração estrutural relevante.
Ignorar essa exigência pode comprometer a segurança e a inclusão.
Ao planejar obras e manutenções com base na NBR 9050, o síndico demonstra cuidado com a coletividade e reduz riscos jurídicos.
👉 Leia mais: O que diz a NBR 9050?
9) NBR 9077: saídas de emergência e rotas de fuga
A ABNT NBR 9077 define critérios para dimensionamento e organização das saídas de emergência em edificações.
Ela trata de escadas, portas corta-fogo, corredores, sinalização e rotas de fuga.
Na rotina do síndico, o risco aparece quando essas áreas são obstruídas ou sofrem alterações sem análise técnica.
Bicicletas em escadas, portas corta-fogo travadas ou falta de sinalização adequada podem comprometer a evacuação em caso de incêndio.
Além disso, essa norma influencia diretamente a obtenção e renovação do AVCB junto ao Corpo de Bombeiros. Irregularidades podem gerar notificação, multa e até interdição.
10) NBR 5674: plano de manutenção predial
A ABNT NBR 5674 estabelece diretrizes para a gestão da manutenção das edificações.
Ela orienta que o condomínio tenha um plano estruturado, com rotinas periódicas, registros de inspeções e histórico de intervenções.
Na prática, o problema surge quando a manutenção é feita apenas de forma corretiva.
Elevador quebra, infiltração aparece, fachada apresenta risco, e só então o condomínio age.
Esse modelo aumenta custos e amplia a possibilidade de responsabilização por omissão.
A norma incentiva planejamento, acompanhamento técnico e documentação das ações realizadas.
Quando há registro organizado das manutenções, o síndico consegue demonstrar diligência e reduzir riscos jurídicos.
11) Normas do Corpo de Bombeiros e AVCB
Além das NBRs, cada estado possui regulamentações próprias do Corpo de Bombeiros que tratam de prevenção e combate a incêndio.
É nesse contexto que entra o AVCB — Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros — documento que comprova que o condomínio atende às exigências de segurança.
Na rotina do síndico, o problema costuma aparecer quando o prazo de validade passa despercebido ou quando alguma adequação técnica fica pendente.
Extintores fora da validade, iluminação de emergência inoperante ou sinalização incompleta podem impedir a renovação do documento.
Sem AVCB válido, o condomínio pode sofrer multas, ter dificuldades na contratação ou renovação do seguro predial e assumir riscos ainda maiores em caso de incidente.
A responsabilidade pela regularização recai sobre a gestão.
O que essas 11 normas revelam sobre a gestão do síndico
Quando analisadas em conjunto, essas normas mostram que a gestão condominial exige muito mais do que boa vontade.
Cada decisão, da autorização de uma reforma à convocação de assembleia, está sustentada por regras específicas que delimitam responsabilidades e reduzem riscos.
Na prática, o síndico lida simultaneamente com legislação civil, normas técnicas, exigências de segurança e regras internas.
O desafio não está apenas em conhecer essas obrigações, mas em organizar documentos, controlar prazos e registrar decisões de forma adequada.
É nesse ponto que organização e tecnologia fazem diferença.
Ter acesso fácil à convenção, atas, notificações, laudos e cronogramas de manutenção facilita a aplicação correta das normas e protege a gestão.
Para finalizar, separamos mais um vídeo especial para você:
FAQ – Dúvidas frequentes
O síndico pode ser responsabilizado pessoalmente por erros na gestão?
Sim. O síndico pode responder civilmente quando age com negligência, imprudência ou fora dos limites legais. Por isso, decisões precisam estar fundamentadas na lei, na convenção e registradas formalmente.
Qual é a principal lei que regula condomínios no Brasil?
O Código Civil, especialmente entre os artigos 1.331 e 1.358, é a principal base legal. Ele define deveres do síndico, regras de assembleia, aplicação de multas e responsabilidades dos condôminos.
A Lei do Condomínio ainda é válida?
Sim. A Lei 4.591/1964 continua válida e complementa o Código Civil nos pontos que não foram totalmente disciplinados por ele, especialmente sobre instituição do condomínio e frações ideais.
Inquilino pode votar em assembleia?
Pode votar em matérias ordinárias, desde que tenha autorização do proprietário. Em temas que envolvem alteração da convenção ou decisões estruturais, o voto é do condômino proprietário.
Assembleia online é legal?
Sim. A Lei 14.309/2022 regulamenta assembleias eletrônicas. No entanto, é necessário garantir identificação dos participantes, registro das votações e documentação adequada.
O condomínio precisa cumprir a LGPD?
Sim. Condomínios tratam dados pessoais de moradores, visitantes e funcionários. A LGPD exige finalidade clara, controle de acesso às informações e cuidado com compartilhamento indevido.
O síndico pode proibir reforma no apartamento?
Não pode proibir de forma genérica. Porém, pode exigir cumprimento da NBR 16280, incluindo apresentação de plano de reforma e responsabilidade técnica, quando necessário.
Condomínio é obrigado a ter acessibilidade?
Sim, especialmente em áreas comuns e quando há reformas relevantes. A NBR 9050 estabelece critérios técnicos que devem ser observados para garantir acessibilidade.
O que acontece se o AVCB estiver vencido?
O condomínio pode sofrer multa, notificação e até interdição em casos graves. Além disso, pode enfrentar dificuldades com seguradoras em caso de sinistro.
É obrigatório ter plano de manutenção predial?
A NBR 5674 orienta que o condomínio mantenha plano estruturado de manutenção. A ausência de controle pode aumentar custos e gerar responsabilização por omissão.
O síndico pode aplicar multa diretamente?
Pode, desde que a conduta esteja prevista na convenção ou regimento interno e seja garantido direito de defesa ao morador. Penalidades aplicadas sem base formal podem ser anuladas.
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