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Elias Bielaski
Jornalista e especialista em Gestão de Condomínios
Tempo estimado de leitura:

Criança de 10 anos morre após queda de pergolado em condomínio de MG

Uma tragédia ocorrida em um condomínio na cidade de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, reacendeu um debate urgente sobre manutenção e segurança em áreas comuns. 

A morte de uma criança de 10 anos, após o desabamento de uma estrutura de madeira na área de lazer do prédio onde morava, gerou comoção e levantou questionamentos sobre responsabilidade, prevenção e fiscalização.

Na rotina de muitos condomínios, espaços como pergolados, playgrounds e áreas de convivência fazem parte do dia a dia das famílias. 

Justamente por isso, qualquer falha estrutural pode ter consequências graves.

criança morreu após desabamento de pergolano em condomínio de Vespasiano, na grande BH
Criança de apenas 10 anos faleceu após desabamento de estrutura de madeira. Foto: Divulgação

Tragédia no condomínio

Lorrayne Rabelo, de 10 anos, brincava com o irmão e outras três crianças na área de lazer do condomínio, localizado no bairro Jardim da Glória, quando um pergolado de madeira desabou sobre elas na tarde de terça-feira (17).

A estrutura atingiu cinco crianças. Lorrayne sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu ainda no local. O irmão dela, de 7 anos, também foi atingido, assim como outras três crianças com idades entre 4 e 10 anos.

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais foi acionado e realizou o socorro das vítimas. Três crianças já receberam alta hospitalar. O estado de saúde da quarta vítima não foi informado até o momento.

O sepultamento ocorreu no Cemitério Parque da Ressurreição, também em Vespasiano, na tarde do dia seguinte.

O posicionamento da família

Segundo o pai da criança, Sérgio Rabelo Leite, a filha havia descido para brincar com o irmão e amigos quando a estrutura caiu.

"Eu desci correndo, minha filha já estava morta. A peça caiu em cima dela, quebrou a costela dela. Uma menina de 10 anos que nem viveu direito", lamentou Leite.

A irmã da vítima, Michelle Rabelo, relatou que a família está profundamente abalada. 

De acordo com ela, Lorrayne era uma criança alegre, carinhosa e sempre disposta a ajudar.

Em situações como essa, o impacto ultrapassa os muros do condomínio. Ele atinge moradores, funcionários e toda a comunidade local.

O que disseram o condomínio e a Prefeitura

A administração do condomínio divulgou nota afirmando que lamenta o ocorrido e que está colaborando integralmente com a apuração técnica dos fatos.

Já a Defesa Civil de Vespasiano realizou vistoria no local no dia seguinte ao acidente. 

Durante a inspeção, constatou a existência de outra estrutura semelhante à que desabou. 

A equipe fez uma vistoria preventiva para evitar novos riscos.

Como estão as investigações?

A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou inquérito para investigar as circunstâncias do desabamento. Peritos estiveram no local para coletar vestígios e identificar possíveis causas.

A apuração deve avaliar fatores como condições estruturais da madeira, manutenção preventiva, responsabilidade técnica e eventual negligência.

Esse tipo de investigação costuma analisar documentos, contratos de manutenção e registros de vistorias anteriores.

De quem é a responsabilidade pela manutenção nas áreas comuns?

Na prática, o problema aparece quando a manutenção das áreas comuns não recebe a mesma atenção que elevadores, portões ou sistemas elétricos.

Estruturas como pergolados, brinquedos de playground e coberturas de madeira ficam expostas à chuva, sol intenso e variações climáticas. 

Com o tempo, a madeira pode sofrer infiltração, apodrecimento interno e perda de resistência estrutural.

O que a legislação determina?

O Código Civil, em seu artigo 1.348, estabelece que é dever do síndico diligenciar a conservação e a guarda das partes comuns. Isso inclui:

  • Realizar manutenção preventiva;

  • Contratar profissionais habilitados quando necessário;

  • Garantir condições seguras de uso.

Além disso, o condomínio pode ser responsabilizado civilmente caso fique comprovada omissão ou negligência na conservação das áreas comuns.

Onde a falha costuma acontecer?

Na rotina do síndico, a manutenção de itens “não críticos” acaba sendo adiada. Muitas vezes, não há laudo técnico periódico para estruturas externas. Em outros casos, não existe registro formal das inspeções realizadas.

Sem histórico documentado, a gestão perde rastreabilidade. E, em situações graves, isso pesa tanto na esfera jurídica quanto na assembleia.

Assim, criar um plano anual de manutenção preventiva, com cronograma formalizado e registro digital das inspeções, já muda o nível de controle.

Quando o condomínio utiliza um sistema de gestão, como o uCondo, é possível:

  • Registrar ordens de serviço;

  • Anexar laudos e fotos;

  • Criar lembretes periódicos de inspeção;

  • Organizar contratos de manutenção.

Isso não elimina riscos estruturais por si só. No entanto, fortalece a governança e demonstra diligência da gestão.

O que síndicos podem aprender com o caso?

Casos como o ocorrido em Vespasiano não podem ser tratados como eventos isolados. Eles evidenciam a necessidade de:

  • Revisão periódica das áreas de lazer;

  • Contratação de profissionais habilitados para avaliação estrutural;

  • Registro formal de inspeções;

  • Comunicação transparente com moradores.

Na prática, a segurança nas áreas comuns depende de organização, rotina e responsabilidade técnica.

E, para o síndico, a principal proteção é a prevenção documentada.

Porque, quando a manutenção é planejada e registrada, o condomínio ganha não apenas segurança física, mas também segurança jurídica.

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