Qualquer morador pode ser síndico do condomínio?
Em muitos condomínios, o desafio não é a eleição em si, mas encontrar alguém disposto a assumir a função de síndico. Na prática, o cenário se repete: assembleia marcada, pauta pronta e, quando chega o momento da escolha, ninguém se candidata.
Quem já passou por essa situação sabe o quanto isso gera insegurança. Sem um síndico definido, decisões travam, contratos ficam pendentes e a gestão entra em modo de espera.
É nesse contexto que surge uma dúvida muito comum na rotina condominial: afinal, qualquer morador pode ser síndico do condomínio?
Durante muito tempo, a resposta parecia óbvia. A ideia dominante era que apenas moradores proprietários, diretamente ligados ao dia a dia do prédio, poderiam ocupar esse cargo.
Pessoas de fora do condomínio ou sem vínculo com uma unidade dificilmente eram consideradas uma opção viável.
Hoje, essa percepção já não reflete a realidade. O crescimento do número de condomínios, a complexidade da gestão e a própria evolução da legislação ampliaram as possibilidades.
O que antes era exceção passou a ser uma alternativa prevista em lei e cada vez mais adotada na prática.
Neste conteúdo, vamos esclarecer quem pode e quem não pode ser síndico de condomínio, o que a legislação permite e quais cuidados são necessários antes de tomar essa decisão.
Índice
- O síndico do condomínio
- Como "nasce” um síndico?
- Um síndico por “acidente”
- Quem pode ser síndico?
- O que o síndico precisa saber?
- Síndico precisa de curso?
- De Morador a Síndico

O síndico do condomínio
Na rotina do condomínio, o síndico é a figura central da gestão.
É ele quem assume a responsabilidade de representar o condomínio, tomar decisões do dia a dia e garantir que tudo funcione dentro das regras definidas pela legislação, pela convenção e pelo regimento interno.
Na prática, o trabalho do síndico vai muito além de “administrar o prédio”. Ele responde pela gestão financeira, acompanha contratos, fiscaliza serviços, convoca assembleias e atua como ponte entre moradores, prestadores e administradora.
Quando algo dá errado, é o síndico quem precisa agir rápido, dar explicações e buscar soluções.
Essa posição também envolve responsabilidades legais relevantes. O síndico pode responder civilmente por omissões, falhas de gestão ou decisões tomadas sem respaldo.
Por isso, organização, controle e registro das ações não são detalhes, mas parte essencial da função.
Outro ponto importante é que o síndico não trabalha isolado. Mesmo com apoio de uma administradora, a responsabilidade final recai sobre ele.
É por isso que muitos condomínios enfrentam dificuldade para encontrar alguém disposto a assumir o cargo, especialmente quando a gestão não é bem estruturada.
Ter clareza sobre o papel do síndico ajuda o condomínio a tomar decisões mais conscientes, tanto na escolha de quem vai ocupar a função quanto na definição de como essa gestão será conduzida no dia a dia.
Como "nasce” um síndico?
Na prática, raramente alguém se torna síndico por um plano bem definido. O que costuma acontecer é uma combinação de contexto, necessidade e perfil pessoal. Em assembleias reais, o cargo surge mais como consequência da situação do condomínio do que como um objetivo inicial.
Em muitos casos, o síndico nasce por acaso. A assembleia acontece, ninguém se candidata e o condomínio corre o risco de ficar sem gestão. Diante desse impasse, aquele morador com postura mais conciliadora, perfil de liderança ou facilidade de comunicação acaba sendo convencido a assumir. Não era o plano, mas a necessidade fala mais alto.
Outra situação comum é o síndico que surge por sucessão. Ele acompanha a gestão anterior, participa das decisões, ajuda informalmente e aprende a rotina aos poucos. Com o tempo, ganha a confiança dos moradores e, quando o síndico atual decide sair, o nome dele surge de forma quase natural como continuidade da gestão.
Também é frequente o síndico que assume para resolver um problema específico. Ele convive com falhas recorrentes, como falta de transparência, má gestão financeira, ausência de manutenção ou promessas que nunca saem do papel. Cansado de reclamar sem resultado, decide se candidatar para resolver a situação diretamente, assumindo a responsabilidade que antes cobrava.
Há ainda o síndico que surge pela formação profissional. Advogados, administradores e profissionais de áreas correlatas percebem que seus conhecimentos podem contribuir para uma gestão mais organizada e segura. Ao entender a complexidade jurídica e operacional do condomínio, veem sentido em aplicar essa experiência no próprio local onde moram.
Entender esses caminhos ajuda o condomínio a reconhecer que a figura do síndico não surge de um único perfil.
Um síndico por acaso
Na vida real, a história de muitos síndicos começa quando ninguém mais quer assumir. Um exemplo claro disso é o caso de Carlos Queiroz, presidente do Sindicon/MG, que compartilhou sua trajetória em uma entrevista no podcast Fala Condomínio.
Antes mesmo de atuar em condomínios no Brasil, Carlos viveu uma experiência inusitada.
Ele morava em um acampamento residencial no Sudoeste da Ásia, onde foi desafiado a administrar uma estrutura que abrigava cerca de 4,5 mil pessoas.
O convite não veio por currículo, mas pela confiança do grupo. Segundo ele, foi nesse período que descobriu afinidade com a gestão coletiva, especialmente pela lógica colaborativa e pelo senso de responsabilidade compartilhada.
Anos depois, já no Brasil, a história se repetiu de outra forma. Morando em um prédio de 18 andares, com mais de 100 apartamentos, a síndica sofreu um acidente e ficou impossibilitada de continuar a gestão.
O condomínio entrou em impasse. Ninguém queria assumir a função. Diante do vazio de liderança, Carlos propôs algo simples: “Me deem um voto de confiança que eu vou tentar”.
Ele conta que já tinha boa noção de custos, gestão de pessoas e funcionamento dos principais equipamentos do condomínio. Isso deu segurança para dar o primeiro passo.
O que começou como uma solução emergencial se transformou em uma trajetória sólida. Mesmo depois de se mudar para outro prédio, seguiu como síndico. Já são mais de dez anos à frente da gestão.
Como ele mesmo resume, a continuidade vem da confiança dos moradores. A reeleição constante, segundo Carlos, é reflexo da forma como administra.
O apoio de um subsíndico e de um conselho atuante também faz diferença, dividindo responsabilidades e tornando o dia a dia mais equilibrado.
📹 Assista a entrevista completa e conheça a história de Carlos Queiroz:
Quem pode ser síndico de condomínio?
De acordo com o Código Civil Brasileiro, no artigo 1.347, o síndico não precisa, obrigatoriamente, ser proprietário de um imóvel no condomínio.
A lei estabelece que o síndico pode ser qualquer pessoa física ou jurídica, condômina ou não, desde que seja eleita em assembleia.
Isso significa que moradores proprietários, inquilinos, moradores sem vínculo de propriedade e até empresas especializadas podem assumir a função, desde que a convenção do condomínio permita.
Na prática, o que costuma gerar confusão é a ideia de que apenas o dono de uma unidade poderia exercer a sindicatura.
Esse entendimento não se sustenta mais.
O foco da legislação está na capacidade de gerir, representar legalmente o condomínio e cumprir as obrigações do cargo, e não no vínculo patrimonial com uma unidade.
📹 Assista agora: Síndico morador ou síndico profissional?
Qual o tempo de mandato de um síndico?
O Código Civil define que o síndico pode ser eleito por até dois anos, com possibilidade de reeleição, conforme decisão da assembleia.
A convenção pode detalhar regras específicas, mas não pode contrariar esse princípio legal.
Por isso, antes de descartar nomes ou perfis, o condomínio precisa olhar para dois fatores centrais: o que diz a convenção e se aquela pessoa, moradora ou não, tem condições reais de assumir a gestão com responsabilidade, transparência e organização.
O que o síndico precisa saber?
A sindicatura exige conhecimento mínimo em áreas-chave da gestão condominial. Esses pontos orientam decisões, reduzem riscos e dão mais segurança ao dia a dia do condomínio.
- Legislação vigente: O síndico precisa conhecer os principais dispositivos legais que regem a vida em condomínio. Isso inclui o Código Civil, a Lei do Inquilinato, normas relacionadas à perturbação do sossego e convivência, além da Lei Geral de Proteção de Dados, que impacta o uso e o armazenamento de dados de moradores, funcionários e prestadores.
- Convenção do condomínio: É o documento que define regras internas, limites de atuação do síndico, quóruns de assembleia, responsabilidades e penalidades. Cada condomínio possui sua própria convenção, e ignorar esse conteúdo gera decisões inválidas e conflitos desnecessários.
- Regimento interno: Complementa a convenção e trata da convivência diária. Horários, uso de áreas comuns, regras para reformas e comportamento dos moradores passam, em geral, por esse documento.
- Gestão financeira básica: O síndico precisa entender orçamento, controle de receitas e despesas, inadimplência, contratos e prestação de contas. Mesmo com administradora, é ele quem responde por erros ou omissões.
- Gestão de pessoas e conflitos: Relacionamento com moradores, funcionários, prestadores e conselho exige diálogo, escuta e postura equilibrada. Muitos problemas do condomínio são mais humanos do que técnicos.
- Rotinas operacionais do condomínio: Conhecer elevadores, sistemas de segurança, contratos de manutenção, limpeza e portaria ajuda o síndico a agir com rapidez e evitar falhas que impactam toda a coletividade.
Na prática, esses conhecimentos formam a base para uma gestão mais segura, organizada e transparente
Assista o vídeo abaixo e saiba mais sobre as responsabilidades do síndico:
Síndico precisa de curso?
Do ponto de vista legal, não existe exigência de curso ou certificação obrigatória para exercer a função de síndico. Qualquer pessoa eleita em assembleia pode assumir o cargo, desde que atenda às regras da convenção do condomínio.
Na prática, porém, a realidade é outra. A gestão condominial envolve legislação, finanças, contratos, tecnologia, pessoas e tomada de decisões sob pressão.
Assumir tudo isso sem preparo costuma gerar erros, retrabalho e desgaste com moradores e conselheiros.
Por esse motivo, a capacitação deixou de ser um diferencial e passou a ser altamente recomendada. Hoje, já existem plataformas 100% dedicadas ao mercado condominial, com conteúdos pensados para a rotina real do síndico, e não para uma gestão idealizada.
Um exemplo é a CondoEduca, que reúne cursos voltados tanto para quem está começando quanto para quem já atua na área.
Entre eles estão formações como Síndico do Zero com ChatGPT, De Morador a Síndico e Síndico Empreendedor.
Esses cursos ajudam o síndico a entender melhor seus limites legais, organizar a gestão financeira, melhorar a comunicação com moradores e usar tecnologia a favor da rotina. O resultado costuma ser uma gestão mais segura, profissional e menos dependente de improviso.
📹 Assista agora: Existe regulamentação para trabalhar como síndico?
De Morador a Síndico
Na prática, a maioria dos síndicos não começa com a intenção de seguir esse caminho.
O que existe é um morador que aceita o desafio em um momento crítico, aprende no dia a dia e, aos poucos, percebe o peso e a importância da função.
Quando isso acontece sem preparo, a gestão vira fonte constante de estresse. Quando há conhecimento e apoio, o cargo se transforma em uma experiência de crescimento pessoal e coletivo.
Ao longo deste conteúdo, fica claro que qualquer morador pode se tornar síndico, desde que eleito e respaldado pela convenção.
O ponto decisivo não está no título, mas na capacidade de entender regras, organizar processos, lidar com pessoas e tomar decisões com responsabilidade.
É exatamente nesse intervalo entre “aceitar o cargo” e “gerir bem” que muitos síndicos se perdem.
A boa notícia é que hoje existe caminho estruturado para essa transição. O morador que decide se tornar síndico não precisa aprender tudo sozinho, nem repetir erros comuns que já fazem parte da rotina de muitos condomínios.
Com orientação, conteúdo prático e apoio, a função deixa de ser improviso e passa a ser gestão.
Para aprofundar esse tema e entender como dar esse passo com mais segurança, assista ao vídeo abaixo para conhecer melhor o curso De Morador a Síndico:
📆 Veja também: O calendário de obrigações do síndico
FAQ – Dúvidas frequentes sobre quem pode ser síndico
Quem é inquilino pode ser síndico?
Sim. A legislação permite que inquilinos sejam síndicos, desde que sejam eleitos em assembleia e que a convenção do condomínio não proíba essa possibilidade.
Precisa ser proprietário para ser síndico?
Não. O síndico não precisa ser dono de uma unidade. O que vale é a eleição em assembleia e o respeito às regras da convenção.
Quem não pode ser síndico de condomínio?
Em regra, não pode ser síndico quem estiver impedido pela convenção do condomínio ou quem não for aprovado pela assembleia. Pessoas juridicamente incapazes também não podem exercer a função.
Morador que não é proprietário pode ser síndico?
Pode, sim. Moradores sem vínculo de propriedade podem assumir a sindicatura, desde que a convenção permita e haja aprovação em assembleia.
Empresa pode ser síndico de condomínio?
Sim. A lei permite a contratação de pessoa jurídica para exercer a sindicatura, prática comum em condomínios que optam por síndico profissional.
Síndico precisa fazer curso?
Não é obrigatório por lei, mas é altamente recomendado. Cursos ajudam a evitar erros, entender limites legais e organizar melhor a gestão.
Precisa de faculdade para ser síndico?
Não. Não há exigência de formação superior. O que faz diferença é conhecimento prático, organização e capacidade de gestão.
Qual curso precisa para ser síndico?
Não existe um curso obrigatório. O ideal é buscar formações específicas em gestão condominial, legislação e administração do condomínio, como os cursos da plataforma CondoEduca.
Qual é o salário de um síndico?
Não há valor fixo. A remuneração varia conforme o tamanho do condomínio, complexidade da gestão e decisão da assembleia. Em alguns casos, há isenção da taxa condominial em vez de salário.
Síndico pode ser destituído?
Sim. A assembleia pode destituir o síndico a qualquer momento, desde que respeite o quórum e os motivos previstos em lei e na convenção.
Síndico responde com bens pessoais?
Pode responder civilmente se houver má gestão, omissão ou uso indevido de recursos. Por isso, organização, registros e transparência são fundamentais.
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