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A transformação do Copan, o maior edifício residencial do Brasil

O Edifício Copan sempre foi mais do que concreto curvo no Centro de São Paulo. Com 1.160 apartamentos e 32 andares, o projeto assinado por Oscar Niemeyer se consolidou como um microcosmo urbano. 

Ali convivem moradores antigos, artistas, comerciantes, funcionários e uma estrutura condominial comparável à de uma pequena cidade.

Nos últimos anos, porém, a dinâmica interna ganhou outra camada de complexidade. Mais de 200 unidades passaram a operar como aluguel de curta temporada, principalmente por meio da Airbnb. 

O fluxo de pessoas aumentou, a rotatividade ficou mais intensa e o cotidiano passou a exigir um nível de organização muito mais rigoroso.

Na prática, o Copan se tornou um laboratório vivo sobre um tema que já pressiona síndicos em diversas cidades brasileiras: quando o condomínio mantém destinação residencial, mas parte das unidades funciona com lógica de hospedagem, como preservar segurança, previsibilidade e convivência?

Índice

  1. O Copan: história, dimensão e relevância urbana
  2. A chegada do Airbnb e o avanço da locação por curta temporada
  3. O impacto na rotina dos moradores e na sensação de pertencimento
  4. O papel do síndico diante de interesses conflitantes
  5. O que diz a legislação hoje — e onde está a insegurança jurídica
  6. O que síndicos podem aprender com o caso Copan?

edifício copan em são paulo
Edifício Copan é um dos símbolos de São Paulo.



O Edifício Copan

O Edifício Copan ocupa o número 200 da Avenida Ipiranga, no Centro de São Paulo, e integra a paisagem urbana da cidade desde 1966. 

Idealizado por Oscar Niemeyer, com projeto estrutural do engenheiro Joaquim Cardozo, o prédio nasceu dentro das comemorações do IV Centenário da capital paulista. A obra começou em 1957 e passou por ajustes até sua conclusão.

Com 115 metros de altura, 32 andares e cerca de 120 mil metros quadrados de área construída, o Copan reúne seis blocos e 1.160 apartamentos de diferentes metragens. 

Além das unidades residenciais, abriga mais de 70 estabelecimentos comerciais no térreo e na galeria interna. Na prática, funciona como uma pequena cidade vertical.

As curvas marcantes da fachada e os brises de concreto transformaram o edifício em um ícone da arquitetura moderna brasileira. 

Porém, mais do que símbolo estético, o Copan sempre foi pensado como um centro urbano multifuncional, inspirado em grandes complexos internacionais. O projeto original previa, inclusive, hotel, cinema e teatro.

Ao longo das décadas, o prédio passou por ciclos de valorização, desgaste e reestruturação. Atualmente, estamos dentro de um destes ciclos de reestruturação.

Porque o Copan é famoso?

O Edifício Copan é famoso porque reúne três elementos raros no mesmo endereço: escala urbana, assinatura arquitetônica e relevância histórica.

Primeiro, a arquitetura. O projeto de Oscar Niemeyer transformou o prédio em um marco visual da cidade. As curvas sinuosas, os brises-soleil e o volume contínuo de concreto criaram uma identidade única no Centro de São Paulo. Quem olha o skyline da região reconhece o Copan imediatamente.

Segundo, a dimensão. São 1.160 apartamentos distribuídos em seis blocos, além de dezenas de lojas e serviços no térreo. Com cerca de 120 mil metros quadrados de área construída, o prédio funciona como uma cidade vertical. Essa escala sempre chamou atenção da imprensa, de urbanistas e de turistas.

Além disso, o Copan atravessou diferentes fases da história paulistana. Já enfrentou períodos de degradação urbana, passou por revitalizações e se consolidou como endereço desejado por artistas, intelectuais e profissionais criativos.

Na prática, o Copan é famoso porque simboliza São Paulo: denso, diverso, contraditório e em constante transformação. 

Quais famosos moram no Copan?

Ao longo das décadas, o Edifício Copan se consolidou como endereço de artistas, intelectuais e criadores que ajudaram a reforçar sua imagem cultural.

Entre os nomes mais associados ao prédio estão o humorista Paulo Vieira, o estilista Walério Araújo, o apresentador Caio Braz e a cantora Manu Gavassi, que possui imóvel no edifício. Também figuram na lista a drag queen Eloína dos Leopardos e a atriz Mika Lins.

Em gerações anteriores, o Copan já abrigou o cineasta Jean-Claude Bernardet e o dramaturgo Plínio Marcos, nomes relevantes da cena cultural brasileira.




A chegada do Airbnb

A transformação mais recente do Edifício Copan começou de forma gradual, por volta de 2014, quando os primeiros anúncios de apartamentos para locação de curta temporada passaram a aparecer na Airbnb.

No início, o movimento gerou resistência interna. Afinal, o Copan sempre teve destinação residencial. Porém, com o passar dos anos, a oferta cresceu. Hoje, mais de 200 das 1.160 unidades são destinadas à hospedagem temporária, segundo a própria administração do condomínio.

Na prática, isso significa que o prédio passou a operar com um fluxo constante de hóspedes, semelhante ao de um hotel de médio porte. 

Elevadores transportam malas, funcionários de limpeza circulam com enxovais, há maior rotatividade de pessoas nas áreas comuns e aumento na demanda por controle de acesso.

Além disso, surgiram modelos de gestão profissional desses imóveis. Há proprietários que concentram dezenas de unidades e estruturaram equipes próprias para recepção, lavanderia e atendimento aos hóspedes.

Esse cenário criou uma nova dinâmica interna. Parte dos moradores percebe valorização imobiliária e aquecimento do comércio local. 

Outra parte relata desconforto com o aumento de circulação e com a sensação de perda de previsibilidade no cotidiano.

O caso do Copan mostra algo que muitos síndicos já enfrentam em escala menor: quando a locação por temporada cresce sem planejamento coletivo, o impacto recai diretamente sobre segurança, governança e convivência.

Em vídeo publicado no YouTube, um arquiteto fez um tour pelo Copan e ainda se hospedou via Airbnb no local. Assista:




O impacto na rotina dos moradores

No Edifício Copan, a expansão da locação por curta temporada alterou a dinâmica diária do prédio. E os relatos colhidos pela BBC News Brasil ajudam a entender como essa mudança se materializa na prática.

O morador Alexandre Araújo resumiu a sensação de muitos vizinhos ao afirmar que há dias em que é preciso “pedir licença para os hóspedes para conseguir entrar no seu bloco”. 

A frase revela algo simples, mas profundo: a previsibilidade do convívio diminui quando a rotatividade aumenta.

Antes, moradores sabiam quem encontrariam no elevador. Hoje, a circulação constante de pessoas de passagem altera essa percepção. A historiadora Maíra Rosin, que vive no Copan há mais de uma década, relatou um episódio emblemático. 

Ao entrar no elevador, encontrou dois hóspedes alcoolizados com caixa de som ligada. Segundo ela, a diferença está na relação com o espaço: quem mora tende a enxergar o prédio como casa; quem está hospedado o encara como local de férias.

Além do barulho, a administração relata queixas relacionadas a uso inadequado de áreas comuns, sobrecarga da portaria e até hóspedes que desrespeitam regras estruturais do edifício.

Na prática, o impacto não é apenas jurídico ou econômico. Ele é cotidiano. E, quando o fluxo de pessoas cresce sem protocolos claros, a gestão condominial passa a operar sob tensão constante.




O papel do síndico diante dos conflitos

No Edifício Copan, o debate sobre locação por curta temporada não é apenas jurídico. Ele é político, operacional e, sobretudo, humano. E quem está no centro desse equilíbrio é o síndico.

Após mais de 30 anos de gestão de Affonso Celso de Oliveira, figura histórica que conduziu o prédio em um processo de reorganização e valorização, o condomínio passou por uma transição delicada. 

Oliveira faleceu em dezembro, e poucos dias depois assumiu o advogado Guilherme Milani. A eleição ocorreu em meio a um clima de expectativa. 

Parte dos moradores temia que o Copan pudesse ampliar ainda mais o número de unidades destinadas ao Airbnb. A discussão já dividia opiniões nos grupos internos e nas assembleias.

Milani reconhece que o tema não está pacificado. Segundo ele, existem “reclamações crônicas e esporádicas”. Alguns moradores convivem melhor com a rotatividade. Outros não aceitam a transformação da dinâmica residencial.

Ao mesmo tempo, o síndico avalia que a modalidade contribuiu para valorização imobiliária e para o fortalecimento do comércio local. Ou seja, o gestor precisa lidar com interesses legítimos em direções opostas.

Na prática, esse é o desafio real do síndico moderno: mediar conflitos sem agir por impulso, sustentar decisões com base na convenção e manter a governança acima das preferências individuais.




O que diz a legislação?

O debate sobre locação por curta temporada em condomínios, como ocorre no Edifício Copan, ainda não tem uma resposta única no Brasil. 

A própria reportagem da BBC mostra que o tema vive um “limbo jurídico”, sustentado por interpretações distintas da lei.

Hoje, o Superior Tribunal de Justiça já analisou casos envolvendo plataformas como a Airbnb. 

Algumas decisões indicam que, se a convenção do condomínio não proíbe expressamente a locação por temporada, o proprietário pode exercer esse direito. 

Nesse entendimento, prevalece o direito de propriedade, previsto na Constituição Federal.

Por outro lado, há decisões que consideram que, se a convenção estabelece destinação exclusivamente residencial, a rotatividade típica da hospedagem descaracteriza o uso como moradia e pode ser restringida. 

Nesse caso, o argumento se apoia no Código Civil, que exige respeito à finalidade das unidades.

Outro ponto central é a Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991), que permite locação por temporada de até 90 dias. Defensores da prática sustentam que essa previsão já autoriza o modelo utilizado nas plataformas digitais. 

Já opositores argumentam que, quando há prestação de serviços típica de hotelaria, o uso deixa de ser locação residencial.

Vale lembrar que o Airbnb opera sob a lógica da Lei do Inquilinato, diferentemente de hotéis e pousadas, que seguem regulamentação específica do Ministério do Turismo, como a Portaria MTur nº 28/2025.

Além disso, há proposta de alteração do Código Civil em tramitação no Congresso que pode exigir autorização expressa na convenção para permitir a hospedagem em prédios residenciais. 

Caso avance, o tema tende a ganhar mais segurança jurídica.

📲 Assista o vídeo abaixo e saiba mais sobre o caso:




O que os síndicos podem aprender com o caso Copan?

O caso do Edifício Copan mostra que o debate sobre locação por temporada não começa na Justiça. Ele começa na rotina.

Primeiro, o síndico precisa entender que o conflito não é apenas jurídico. Ele envolve sensação de segurança, previsibilidade e pertencimento. 

Quando a rotatividade aumenta, moradores sentem que o prédio perde identidade. Se a gestão ignora essa percepção, o desgaste cresce.

Segundo, a convenção não pode ser um documento esquecido. O que costuma acontecer é o condomínio discutir Airbnb sem revisar formalmente suas regras. 

Depois, quando o conflito se intensifica, a assembleia vira palco de tensão. Revisar cláusulas, esclarecer destinação e registrar decisões protege a gestão.

Além disso, o Copan evidencia a importância do controle operacional. Cadastro de hóspedes, regras claras para áreas comuns, política de uso de elevadores e protocolo para ocorrências deixam de ser detalhes administrativos. Eles viram ferramentas de estabilidade.

Outro ponto é a neutralidade técnica. O síndico não pode agir movido por preferência pessoal. Ele precisa sustentar decisões com base legal, transparência e registro documental. Isso reduz questionamentos futuros.

Por fim, o aprendizado central é este: quando o perfil de uso das unidades muda, a gestão precisa evoluir junto. Organização financeira, comunicação estruturada, registro de deliberações e histórico digital de decisões tornam-se ainda mais estratégicos.

📲 Leia também: Qual o melhor aplicativo para condomínios?

Postado em  

February 12, 2026
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